terça-feira, 22 de novembro de 2016

Barco e Mar

Ah, como eu queria ser barco,
para no mar deslizar.
Queria me sentir leve,
ser capaz de flutuar;
e quando chegasse no porto,
pudesse firmemente ancorar.
Mas, por não ter leme ou timão,
vivo só, à deriva,
com medo de soçobrar.

Ah, ó mar que está tão longe,
que se agita ao sabor do vento,
como és presente em meus sonhos,
quanto me acalma os tormentos!
Por isso cá estou a pedir, ó mar,
que sejas meu rumo, meu lar!

Às vezes, nos braços de Morfeu,
ouço tua voz docemente a murmurar:
_Posso ser guardião de teu sono,
te tomar nos braços ao acordar.
Navegaremos juntos pela vida,
em feliz harmonia, velas coloridas;
tu, o barco, eu, o mar…